Round and Round in Circles Over Life...

09
Nov 06

Quando a vida nos parece um deserto, quando caminhamos nas areias quentes e estéreis das dunas monstruosas, isso é sinal de que o universo nos tá a tentar dizer algo...

Estou a viver um momento de deserto e à muito que a minha caminhada se iniciou...

Hoje, mais animada, conformada por saber que deambulo neste deserto com um propósito, faço um esforço para vencer os obstáculos, para fazer a tal revisão interior, interiorizar coisas importantes, exteriorizar outras, e continuar a perceber qual o melhor caminho para chegar ao meu destino...

É interessante parar e ter a capacidade de analisarmos todas as hipóteses todos os acontecimentos.

Apercebo-me então de uma série de coisas, que apesar de não serem nada novas para mim, fazem agora mais sentido, como um click ou um estaladão que levamos para despertar. Todas estas coisas também têm sido alvo de inumeras crónicas, livros, blogs, enfim...um pouc por todo o lado é facil encontrar artigos que nos depertem para questões pertinentes e actuais.

Foi o que aconteceu nas duas ultimas semana...

Como já disseram algumas pessoas e recentemente o meu "amigo" Zé Miguel no seu blog, a blogosfera anda algo deprimida e triste, é facil lermos pessoas descontentes, solitárias, carentes, com muita necessidade de mudança nas suas vidas....

Mas nem sempre temos aquilo que queremos!

A questão emocional, a solidão, a falta de amor e as desilusões são uma constante e a mim parece-me que vivemos numa sociedade cada vez mais cinzenta, cada vez mais fria, mais fechada sobe o seu próprio umbigo. Eu própria sou exemplo, uma eterna solitária, desiludia, insatisfeita, enfim...

O amor, o afecto, o carinho é o nosso maior défice...

Dei por mim a pensar no que é verdadeiramente o amor? Será este assim tão verdadeiramente importante e fundamental das pessoas? E aqueles que optam pelo celibato de estar bem só consigo mesmo? Não sentirão eles a falta de um amor verdadeiro a seu lado?

Há quem diga que o amor é entendido de formas diferentes entre os sexos...o homem ser mais razoavel e racional não percebe porque é que a razão e o amor podem andar de mãos dadas, ao passo que a mulher mais emotiva e menos racional, não os consegue entender um sem o outro, para ela todas as grandes decisões são pesadas na balança com estas duas medidas.

Na verdade eu identifico-me com esta designação....sou demasiado emotiva para por vezes saber separar as àguas e enchergar a realidade, falta-me por vezes a frieza e racionalidade de um homem...então o que é que nos atrai? Será esse lado complementar que tanto falta à mulher? Como uma espécie de Yin e Yang? Ou será que é tudo meramente aleatório?

No meio de tudo isto, leio uma crónica numa revista que me faz pensar mais um pouco...alguém falava na falta que existe, por parte das pessoas, em manifestarem aquilo que sentem...na falta de abraços, de carinhos, não só no plano das relações intimas/ carnais, mas em grande medida nas relações mais simples de amizade e familiares. Abraçamos frquentemente aqueles de quem gostamos? Abraçamos um amigo ou irmão de cada vez que o encontramos? Ou pelo contrário limitamos-nos a dar dois beijos a ter uma atitude meramente formal?

Isto leva-me a muitas questões...questões que se prendem com educação de outros tempos, com canones instituidos à muito e que fazem de nós seres automatizados. Talvez seja por isso que as pessoas têm tanta dificuldade em se relacionar no plano amoroso, por um lado a dificuldade de expressar sentimentos emoções, por outro uma espécie de normas, regras de comportamentos instituidas que nos fazem ser assim...

Imeditamente remete-me para outra questão...

A dependência amorosa, emocional e afectiva!

Com toda esta falta de amor, com um vazio generalizado estampado no rosto das pessoas, é dificil entrarmos ou encontrarmos uma relção amorosa equilibrada que se possa construir a partir do nada e evoluir...e não é isso que todos procuramos??? E como pode isso existir, se esperamos que uma relação amorosa venha resolver todos os nossos problemas? Como queremos ter o homem ou a mulher ideal do nosso lado se estamos a dizer-lhe deliberadamente que ele é o nosso salvador, o porto seguro aquele de quem dependemos para ser felizes?

Assistimos hoje em dia pessoas a ligarem-se por dependência, pelo cansaço de ser solitário, pelo desespero de estarem no mesmo plano que todas as outras. Somos todos uma espécie de "Vampiros do Amor", que nos alimentamos do outro para sermos felizes....

"Eu mordo no teu pescoço...tu mordes no meu! (...) Ser dependente é estar lunarizado, é orbitar e redor de alguém que julgamos nos irá fazer felizes. (...) Não podes depender de ninguém, e sempre que o fizeres vais ser recordado, pela dor, que não deves viver como um mendigo, mas como um imperador. Dá o teu melhor aos outros, sem depender deles para te sentires alimentado. A tua dádiva é a tua maior riqueza, a tua carência a causa do teu maior sofrimento" (Nuno Michaels)

Percebi finalmente o meu erro, aquilo que de certa forma me fazia infeliz, aquilo que me enrolou como uma onda e que deixou ainda mais triste. E quando duas pessoas com os mesmo défices se juntam, nada poderá chegar a bom porto, pois nunca vão conseguir alimentar-se a si próprias, com tanta falta de amor e tanto desejo de esquecer o vazio que os preenche.

Agora percebo o que foi que uma história, que para mim teve um desfecho tão triste, significa...agora percebo aquilo que posso ser, o amor que tenho para dar...agora percebo que a solidão só me torna mais forte, mais consciente de mim, só me fortalece...agora sei que a porta se está quase a fechar e que a vida me está a abrir uma janela de possibilidade, apesar de não se passar nada, lá fora existe um número infinito de possibilidades, de coincidências, de acasos, de mudanças, que eu posso agarrar...

E vou continuar no deserto, vou continuar a caminhada, pois quero encontrar o meu oasis e não sentir que sou um "mendigo" à espera de alguém que olhe para mim e veja o imperador que tenho cá dentro...

Beijos a todos um excelente Fim de Semana!

Big hug!

publicado por Paty a.k.a Wildflower às 12:07
música: Let Love In...Goo Goo Dolls

Olá Paty,

eu não sei a tua idade, mas deve estar próxima da minha. Ter 26 anos tem destas coisas, está devidamente previsto no manual :) de certa forma, já não é a primeira vez que o que escreves vem de encontro ao que escrevo também. O texto que postei agora, fala de tudo isto, mas de outra forma, mais egocentrica talvez, mais literária...mas sem duvida do mesmo.
Ha tanta coisa que vamos atingindo agora, o mundo a brilhar e a chamar por nós, e só agora nos damos conta o qt brilha, eu cheguei agora aquela fase do encantamento, que tenho receio que a luz me cegue.
Eu sou muito beijoqueira, adoro abraçar, acariciar, adoro declarar aquilo que sinto, embora tenha vindo de uma familia sem essa forma de estar. Entre homem e mulher já é mais complicado, por vezes qd mostramos de mais, o interesse, ou a vontade de lutar por nós esbate-se, mas a vida é para se viver, e quem não vir o imperador que habita em nós, não tinha capacidade para ususfruir do que aqui está.
Gostei imenso da citação do Nuno Michaels. Gostei muito do texto e cada vez gosto mais de ti :)
Paty... o amor pode ser uma doença quando nele queremos encontrar a nossa cura.

Beijo

Manefta
Manefta a 10 de Novembro de 2006 às 11:21

Manefta,
Antes demais obrigado pelo comentario. Levantas questões muito importantes! Realmente o amor pode ser uma doença quando tentamos nele encontrar a cura para os nossos males de solidão....é um gd erro sem duvida.
São fases aquilo que descreves e por vezes, mesmo num deserto conseguimos atingir a melhor das fases e estar tão bem ao lidar com momentos menos bons ou um pouco menos seguros! E isso e o mais importante estar bem na situação que estivermos, mas nunca nos conformarmos e lutar sempre...
Beijos gds

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