Round and Round in Circles Over Life...

26
Set 06

Hoje escrevo sem imagem...

Não consigo achar imagem para transmitir a confusão que me rodeia.

Apetece-me escrever, apetece-me dizer algo, mas ultimamente prefiro ficar recatada, longe, ou refugiar-me numa qualquer história que esconda aquilo que me preocupa...

Hoje sinto necessidade de escrever, despejar aquilo que me confunde, escrever e escrever...talvez na tentativa de perceber aquilo que se está a passar.

I feel so lost in translation...

Coriosamente o filme diz tudo sobre mim e mais não sei quantos milhares de pessoas que andam para aí perdidos nesta vida! A imagem da rapariguita que se sente sozinha meia chorasa a telefonar para a amiga que está super ocupada e que não lhe liga a minina até me fez rir no meio de um choramingar nervoso, tremulo...no fundo eu percebo que essa é uma realidade que me é tão familiar...

Esta semana tem-me feito pensar demasiado...

Primeiro o "Lost in Translation", depois o "The MonaLisa Smile", depois aquela grande reportagem sobre o drama dos Mestrados/Doutorados no desemprego...neste ultimo não chorei porque não calhou! Apesar de ter apenas a licenciatura compreendi e senti cada uma daquelas palavras. No fim da reportagem vi a minha vidinha quase em flashback...

Terei feito as opções correctas neste inicio de vida adulta? Mudaria alguma coisa se fosse hoje? Não sei...

A verdade é que não sei!

Quando estava nos meus "teenage years" aquando da época de tomar decisões e saber que área optar, fiz os tais testes psico-técnicos (uma carrada deles) para me certificar de que não me esquecia de nenhuma área de interesse...ficou claro que a aptência para as letras e as artes eram pontos nº1. Optei pelas letras, o desenho nunca foi muito o meu género e não me estava a imaginar entrar para Arquitectura ou Engenharia!

Letras e humanidades...e lá fui eu! 

12º Ano completo, aluna normal nada de transcendente, fui bombardeada com as pressões do costume, uns porque o Direito é que era, outros porque não sei quê, outro porque não sei que mais. O meu sonho era o jornalismo...

Falhei! Por 0,5 não entrei em Comunicação social...coisas da vida! Quiz o destino que eu descobrisse o meu caminho na 6º opção da candidatura...Antropologia. Tive hipóteses de mudar, mas a antropologia tinha um gostinho especial.

Chegaram-me a dizer que eramos conhecidos pelos gajos de esquerda, que se vestiam com ar alternativo, fumavam umas merdas e tinham espirito de voluntários nas missões para África. Sempre tive vontade de mudar o mundo, sempre acreditei na utopia de que era possivel extinguir a miséria e a fome em África, mas descobri que o meu curso era mais do que aquela imagem absurda. Especializei-me em Gestão do Património e Acção Cultural, que entre outras coisas inclui uma das minhas paixões de sempre a Museologia.

Sofri como tudo numa universidade super hiper mega elitista e exigente, a média final foi uma valente merda e a desilusão final maior ainda, nunca me encaixei, nunca alinhei em jogos e conversas graxistas, nunca alinhei com as pessoas certas, enfim digamos que não fui muito feliz naquela universiadde. Acabei o curso 3 anos depois do previsto as cadeiras de matemática e economia foram a minha cruz, com esforço e suor cheguei lá!

Depois de algumas tentativas de estágios falhados, de algumas negas porque não tinha o curso acabado, fui parar ao tal emprego mixuruca (devia ter partido as duas pernas no dia em que entrei lá dentro...mas isso são outro 500), tinha que pagar o curso e mais as explicações...os pais não podiam ajudar mais!

Acabei o curso, a alegria não foi tanta como o sonhado...tinha chegado mais uma etapa ao fim! Entretanto tive tempo de fazer um curso de iniciação à fotografia, e de me inscrever num curso técnico-profissional de Produção e Marketing de Espectáculos.

Mais uma vez sofri como ó caraças (monetáriamente falando), o curso é interessante e veio complementar muitos conhecimentos que adquiri na faculdade por incrivel que pareça, conheci gente nova, interessante, tive oportunidade de fazer coisas giras, perdi muitas outras porque trabalhar num emprego de merda como o que eu tinha era super castrador e não dá margem de manobra para nada.

Acabei o curso e começei a tentar mudar o rumo desta vidinha...

Situação profissional cada vez mais degradante, fartinha até ao juízo e dá-se aquela confusão monumental, no meio de tudo isto já tinha iniciado mais um curso profissional de fotografia (que terminei recentemente)...finalmente despedi-me e tentei a mudança radical da minha vida!

Até hoje...

8 meses depois não há muito lugar para esperanças! Começa-se então a pensar que o melhor é mesmo voltar a trabalhito de call center...

Penso para comigo de que me serve então investir em tanta formação, em fazer pos-graduações, mestrados, doutoramentos?? Para ser mais um nº, mais uma estatistica????

Na reportagem compreendi o drama daquela gente! O desgosto de não se conseguir fazer aquilo que se gosta, o dom com que nascemos, a aptidão para determinadas àreas. Sinto que as pessoas olham para mim com algum desdém, inclusivamente os meus pais, que se regem por parametros proprios, acreditam que devo arranjar um emprego num area administrativa, hotelaria, secretariado...não os censuro, porque já tenho respondido a anuncios do género. Mas não é isso que quero para mim...

E o que fazer????

O que fazer quando não há luz ao fundo do túnel, quando se concorre a anuncios e nos dizem que temos formação a mais? O que fazer quando pessoas olham para o meu CV e o acham interessantissimo, com formação complementar e não compreendem proque é que alguém como eu ainda não conseguiu um estágio, um emprego, whatever!!!???

O que fazer quando aos 27 anos ainda estou neste ponto? O que fazer quando sentimos que não somos suficientemente bons, quando nos sentimos inuteis, quando a luz ao fundo do tunel se apresenta como um empregozito mixuruca das 9 as 6h, com sálario de pouco mais de 500 euros??? 

É preciso ter uma paxorra para continuar a lutar... 

publicado por Paty a.k.a Wildflower às 17:13
sinto-me: Indignada

13 comentários:
É uma situação muito complicada.
Felizmente a minha passagem por ela foi razoavelmente rápida e sem grandes problemas, mas ainda assim durou o tempo suficiente para ser capaz de perceber isso....

Conheço algumas pessoas na mesma situação e nunca sei o que lhes hei-de dizer...
É complicado não se arranjar um emprego que nos satisfaça e com o qual a gente sinta realização profissional.
Se mesmo quando se tem um emprego dentro da nossa área de eleição às vezes é complicado "sobreviver" no mundo actual, quando não é nada do que queremos é um suplício...


Já sei que deves estar farta de ouvir/ler as mesmas palavras, mas não desistas... não baixes os braços e vais ver que mais tarde ou mais cedo te aparece alguma coisa interessante...


Sei que não posso fazer nem dizer muito que te possa animar ou ajudar, mas pelo menos mando-te uma beijoca boa e muito grande. ;)
a 26 de Setembro de 2006 às 21:55

Oh Zé...até me deixaste meia snif snif ;)
Primeiro obrigado pelo coment...sei que em silêncio lá me lês de vez em quando, fiquei contente com um primeiro comentário aqui no planeta azul ;)
E sim tens razão é preciso não desanimar, apesar de custar muito...
Mas ao contrario do que dizes...as palavras das pessoas ajudam sempre ;)
Beijokas e obrigado pela força!

Oi!
Pronto, tá bem que só estou no 2º ano da faculdade e que não faço ideia de como vai ser daqui a 3 ou 4...mas acho que em primeiro lugar, por muito desesperante que a situação se esteja a tornar para ti, tens de continuar a acreditar em ti e no teu potencial! E usando um "clichézinho" vais ver que vai correr tudo bem...tudo melhora, acredita!!
Beijinhos linda! :)
Carol a 27 de Setembro de 2006 às 10:50

Carolzita,
Obrigado pelas palavras! Desejos de tudo de bom que tenhas muito sucesso linda e que o teu esforço seja recompensado.
Beijus

A educação é a unica coisa que não te podem tirar. Digo eu que trabalho num call center para o qual foi voluntário, porque ali podia ajudar pessoas.

Aprende linguas. Nunca confies nas traduções. Só se souberes a lingua percebes o pensamento.
Zuco a 27 de Setembro de 2006 às 14:42

Zuco,
Para além da lingua mãe com algumas calinadas ;p já ca cantam o inglês, o francês, o alemão e um pouquito de espanhol! Compreendo o que queres dizer...a formação nunca se perde é uma verdade, pena é ser tão banalizada.
O meu odio com os call center tem a ver com uma ma experiência, em que me atiraram literalmente a cara que me pagavam para atender telefones e não para pensar...
Ajudar não estava no vocabulário daquela gente, nem os proprios colegas do edificio, muito menos as pessoas que telefonavam de fora com os seus 500 mil problemas. A falta de humanidade de algumas pessoas raia o absurdo! Não há nada mais recompensador que ajudar um coelga que não consegue uma ligação importante, ou atender um director de um banco estrangeiro que ao ser recebido na sua lingua fica td satisfeito ;)
Parabéns pela atitude, e obrigado pelas palavras de apoio...beijus gds!

Been there. Sei como é.
Sem luta não se chega lá... mesmo sem se saber quando. Se não acreditares é que nada feito. E tens que ser tu.

Bjs
rui a 27 de Setembro de 2006 às 17:56

Bem sei Rui.
Sei que tenho que ser eu...estou talvez cansada de disparar em várias direcções! Se calhar não tenho mesmo outro remédio senão arranjar algo para fazer e ganhar algum...não sei!
Confesso que estou um bocadinho cansada de lutar!
Obrigada pela força!
Beijos

Paty,
Sei que vou cair num lugar comum ao dizer isto, mas não desistas de lutar, nunca, porque seja lá quando for vais ser compensada por isso, e vais ver que valeu a pena. Quando temos "sonhos", nunca devemos desistir deles, porque se o fizermos, os "sonhos" tornam-se ilusões, e mais tarde desilusões.
Quando a este teu desabafo, sobre a tua vida nos últimos anos, e a necessidade que tiveste de o escrever, nunca também o deixes de fazer, porque como eu escrevi aqui há tempos, escreve-se porque se acha que ninguém nos ouve... porque a loucura anda por perto... e escrever é uma forma de a distrair. Escreve-se porque sim... e porque também... Escreve-se quando não se pode fazer mais nada... Escreve-se porque nos salva do cansaço e do desencanto, que a vida nos empresta. Escreve-se porque as palavras mandam mais do que nós. Escreve-se porque o tempo que passamos a lutar pelas palavras, é o tempo em que estamos com os nossos pensamentos. Escreve-se para se vencer o medo, e para que o mundo não nos passe ao lado.
Força.
Beijinhos.
Art Of Love a 27 de Setembro de 2006 às 22:42

pois, agora estou eu aqui a pensar? o que dizer a uma pessoa que tenta estar sempre em cima quando ela está nesta onda....bem, acho que quase tudo já te foi dito, é assim que infelizmente funciona o nosso país, muito ao contrário por exemplo do país onde eu estou, em que os miudos de 14 e 15 anos já andam e estagiar e mal acabam o curso tem um trabalhinho á espera deles, e com um ordenado bem chorudo!!!!! é pena que o nosso pais não ande pa frente................mas o que fazer????
estrelinha perdida a 29 de Setembro de 2006 às 12:50

Não te vou dizer que vai correr tudo bem, que vais conseguir um super trabalho naquilo que mais gostas, porque já deixei de acreditar nisso.
Sempre sonhei ser professora, desde que sou pequenina, e chegada ao secundário fui logo para a minha grande paixão, as letras. Entrei na minha primeira hipótese de curso e de faculdade, e fiz das tripas coração para terminar o curso com boas notas.
Terminei, tive boas notas e agora? Agora vim parar ao desemprego! E ao contrário do que a maioria das pessoas pensa, e que tu também sabes, saber línguas estrangeiras não adianta muito quando não são a língua materna. Já ouvi de várias empresas o tal do "não" porque apesar de ser licenciada em inglês e alemão, um bom tradutor/professor de língua estrangeira tem de ser bilingue mesmo. Um ex-colega meu, que nem sequer tiou a especialização de ensino (que eu tirei) está a dar aulas numa escola de línguas e eu posso mandar os CV que quiser que nunca me aceitam. E porquê? Porque ele nasceu na Alemanha e eu não!
Depois do curso fiquei em casa um ano, procurando emprego para tudo que era sítio. Não achei. Agora estou em part time num call center, o que eu detesto fazer, mas que infelizmente se apresenta como a única forma de sobrevivência.
Como te compreendo...
Apesar de tudo temos de acreditar que as coisas melhoram um dia, pois caso contrário ainda abrimos um buraco no fundo do poço e vamos mais para baixo.
Quando souberes a resposta às perguntas que lanças, apita que eu também gostaria de saber ;)
E apesar de tudo, lembra-te que há sempre pessoas com as quais podemos contar, ainda que seja só para desabafar, gritar, berrar ou o que nos der vontade mesmo. E escreve sempre, que pelo menos enquanto escreves, canalizas os maus pensamentos para o suporte em que escreves.
Beijinho
Angel a 29 de Setembro de 2006 às 22:00

Paty:
Compreendo e aceito o teu sofrimento e a tua indignação e para ser sincera não sei que escrever para te consolar ou aconselhar. Por isso, deixo-te um beijo e votos de que a tua vida melhore rapidamente.
:))
Gigi a 30 de Setembro de 2006 às 20:23

Não há muito mais que te possa dizer, querida paty, dps dos coment+arios que aqui li...Já estive duas vezes desempregrada e outras tantas a trabalhar em coisas em que me sentia muito infeliz...mas sempre acreditei, que de alguma maneira as coisas iam dar a volta...e acabaram por dar... é estafado o q te vou dizer..mas não percas a esperança... espero que tenha muita força .. deixo-te com um abraço forte.
morgana a 2 de Outubro de 2006 às 00:09

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